Há períodos em que parece difícil encontrar energia até para aquilo que antes fazia parte da rotina.
O interesse diminui, as coisas perdem um pouco da graça e tarefas simples podem exigir um esforço muito maior do que antes.
Talvez você continue cumprindo suas responsabilidades, trabalhando e cuidando de quem precisa de você, mas perceba que está fazendo tudo quase no automático. Ou talvez a depressão já esteja interferindo no sono, na disposição, nos relacionamentos e na vontade de estar com outras pessoas.
A tristeza faz parte da experiência humana e não precisa ser tratada como um problema sempre que aparece. Ela pode surgir diante de perdas, frustrações, mudanças ou momentos difíceis. Mas, quando se torna persistente, intensa ou começa a limitar sua vida, é importante compreender o que está acontecendo.
Também podem aparecer sentimentos de vazio, desesperança, culpa ou inadequação, além de pensamentos como:
“Não estou dando conta.”
“Nada vai mudar.”
“O problema sou eu.”
Sentir tristeza ou passar por períodos difíceis não significa necessariamente estar em depressão. Em um quadro depressivo, porém, os sintomas tendem a ser mais persistentes.
Por isso, mais do que olhar para um sintoma isoladamente, é importante considerar há quanto tempo ele está presente, sua intensidade e o quanto tem interferido na vida da pessoa.
Na depressão, a forma como pensamos pode influenciar como nos sentimos e a maneira como agimos, contribuindo para um ciclo que pode manter ou intensificar os sintomas.
É comum que a pessoa passe a perceber a si mesma, suas experiências e o futuro de maneira predominantemente negativa. Podem surgir pensamentos como “não sou capaz”, “nada dá certo para mim” ou “isso nunca vai melhorar”. Na Terapia Cognitivo-Comportamental, esse padrão é conhecido como tríade cognitiva da depressão.
A redução de energia e de interesse pode fazer com que a pessoa se afaste de atividades, vínculos e experiências que antes proporcionavam prazer, conexão ou sensação de realização. Com menos oportunidades de vivenciar essas experiências, os pensamentos negativos podem ganhar ainda mais força.
Compreender esse ciclo é importante porque mostra que existem diferentes pontos nos quais podemos intervir para favorecer mudanças.
O ciclo pode ser interrompido.
Na terapia, buscamos compreender o que está relacionado ao sofrimento que você vive hoje e quais mudanças podem ajudá-lo(a) a se sentir melhor e recuperar qualidade de vida.
A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) ou a Terapia do Esquema podem ser utilizadas de acordo com as necessidades de cada paciente. O trabalho pode envolver a modificação de padrões de pensamento e comportamento, a redução da autocrítica e o desenvolvimento de formas mais flexíveis de lidar com emoções e situações difíceis.
Quando a depressão leva ao afastamento e à redução das atividades, esperar a motivação voltar para então agir pode acabar mantendo o ciclo. Por isso, trabalhamos de forma gradual para retomar atividades que possam trazer sensação de realização, prazer, conexão ou sentido, respeitando as condições e possibilidades de cada pessoa naquele momento.
Quando existem padrões mais antigos — como sentimentos persistentes de inadequação, rejeição, fracasso ou a sensação de nunca ser bom o suficiente — podemos compreender como eles se desenvolveram e trabalhar para modificar a forma como influenciam suas emoções, escolhas e a maneira como você se relaciona consigo e com os outros.
"O objetivo da terapia não é eliminar emoções difíceis ou determinar como você deveria pensar e se sentir."
Buscamos reduzir os sintomas e o sofrimento, promover mudanças nos padrões que contribuem para sua manutenção e favorecer, gradualmente, a recuperação do interesse, da energia e do envolvimento com aquilo que é importante para você.
O processo começa pela compreensão do que você está vivendo hoje, da sua história e dos fatores que podem estar relacionados aos sintomas. A partir dessa avaliação, definimos juntos os objetivos da terapia e a abordagem mais adequada às suas necessidades.
O trabalho é direcionado tanto à redução dos sintomas quanto à mudança dos padrões que contribuem para sua manutenção, respeitando seu momento, seu ritmo e os objetivos construídos ao longo do processo.
Algumas das dúvidas mais comuns de quem está pensando em iniciar a psicoterapia para tristeza e depressão.
Não é necessário esperar que o sofrimento se torne intenso. Se a tristeza persiste, interfere na sua rotina, nos relacionamentos ou na forma como você se sente consigo mesmo, buscar ajuda pode ser importante.
Não necessariamente. A tristeza pode aparecer em diferentes momentos e contextos. A psicoterapia ajuda a compreender a intensidade, a duração e o impacto dos sintomas.
Sim. Você não precisa chegar à terapia sabendo a causa do que sente. Compreender o que está acontecendo também faz parte do processo terapêutico.
Não. A própria falta de energia e motivação pode fazer parte do momento que você está vivendo. O processo pode começar a partir das condições que você tem hoje.
Quando os sintomas são mais intensos ou comprometem significativamente o dia a dia, uma avaliação psiquiátrica pode ser indicada. Essa necessidade também é avaliada ao longo da terapia e, quando necessário, realizo o encaminhamento.
Você não precisa chegar à terapia sabendo a causa do que sente, nem estar motivado(a) para começar. O processo pode começar a partir das condições que você tem hoje.